Sim, podem sair todos e deixar-me sozinho, por favor. É disso que preciso. Hei-de pôr um disco de blues ou mesmo de jazz a tocar, e tudo me poderá parecer melhor. Desliguem a televisão, só faz barulho e afugenta a calma que tanta falta me faz. Estou cansado das gargalhadas, do fumo, das certezas sempre tão fúteis e da falta de perspectivas que todos vocês teimam em demonstrar. Das perguntas, dos conselhos, do vosso espanto quanto digo alguma coisa.
Saiam, e deixem-me com as saudades, com o vazio, com as vontades… Às vezes acho que isto é tudo um caminho sem fim. Que passamos a vida toda atrás de qualquer coisa que nos fugirá sempre por entre os dedos. Que vai ser difícil ter tempos melhores. Por isso, gostava que as pessoas parassem de me mostrar como a vida lhes correu mal, e a infelicidade que se agarrou a elas, e que têm que carregar no mesmo cesto em que levam a frustração. A dor. Claro que sei que é difícil…
Mas saiam, por favor. E ao saírem, desliguem as luzes. Preciso do conforto do escuro. Preciso dele, para tentar ver seja o que for.
Gostava de ser melhor, acho. Vou tentando, mas nem sempre corre bem. Não gostava de ser perfeito, a ideia de perfeição chateia-me mesmo. Às vezes sinto-me sozinho, mesmo tendo gente realmente boa à minha volta. Gosto do som dos pianos, e dos violinos, ou mesmo da junção deles. Fazem-me viajar. Tenho medo do dia em que chegar o dia em que me vai apetecer desistir. Não me deixem, atrevam-se.
Mais do que cansado, hoje sinto-me um bocado parvo, oco. E alguém não fechou a porta quando saiu…
PUM!
ResponderEliminarPronto. Está fechada. :)
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Obrigado Cláudia ;)
ResponderEliminareu sei, mentir é muito feio.
ResponderEliminarp.s. violino e piano, que delícia!