17.8.10

Depois começou a passar a música que costumavas ouvir, enquanto ias no carro para um sítio qualquer. Ninguém se lembrou de ti, nem de que era a que cantavas aos gritos com os vidros abertos nos dias de Verão, com um copo de Coca-cola pousado entre as pernas. Ninguém se lembrou de ti, porque partiste há tempo de mais e tu sabes, as pessoas andam sempre tão ocupadas com a obsessão por si próprias que a vida lhes provoca, que não conseguem ver nada. Não vêm que o tempo passa, que já não vimos da escola a contar o que se passou nas aulas, não vêm que se troca vezes de mais de amigos, de namorado, de casa, de roupa, para conseguirem guardar seja o que for.
Depois põem tudo em caixotes de cartão, para ocupar menos espaço, e para não terem que enfrentar nas estantes, todos os dias, a fotografia das pessoas que tiveram ao seu lado durante tantos dias, e deixaram ir, só porque sim. A tua música, que cantavas a plenos pulmões no carro, está arrumada no fundo de um caixote de cartão, ao lado da tua fotografia. Num sótão esquecido e pouco arejado, de certeza.

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