Senti-te nervosa quando cheguei. Sentada no mesmo muro de sempre, percebi pelo teu olhar, ansioso e meio trémulo, que já nada era igual a ontem. O som insistente das tuas botas na calçada, a fazer lembrar um espectáculo de sapateado descoordenado, denunciou o teu nervosismo. A forma irrequieta como recorrias a madeixas de cabelo aleatórias para manteres as mãos ocupadas deixou escapar o teu ingénuo receio.
Percebi que não havia mais o encantamento que me tinhas jurado na manhã anterior, quando saíste, apressada para a tua vida, como costumavas dizer. Algo se tinha quebrado, se tinha desfeito sem remédio. O teu olhar esclareceu-me: jamais te poderia(s) prender.
E, sem precisar de palavras, percebi que me querias dizer que ias partir.
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